Projeto estufa SPFWN43

Reflexões Projeto Estufa SPFWn43



Fomos convidadas para assistir ao São Paulo Fashion Week (SPFW) em uma edição de impactos com novos pactos!

Através do Projeto Estufa o SPFW provocou reflexões sobre formas de construirmos o nosso futuro no agora, traçando um novo rumo para a moda, pensando em propostas que valorizam toda a cadeia produtiva de forma mais humana e sustentável. Considerando os novos comportamentos e mercados, as novas economias e a influência da tecnologia no desenvolvimento da moda. Repensando a maneira como consumimos e como ofertamos, resignificando o propósito das marcas e o papel transformador da moda para a Nova Era.

Foram três dias intensos de muitas trocas e aprendizados. Assistimos muitas palestras, debates e desfiles inspiradores, todos cheios de amor, exaltando a economia da consciência, compartilhada e criativa, além do respeito ao outro, à natureza e a nós mesmos. Queremos compartilhar com vocês algumas das iniciativas inspiradoras que conhecemos durante o Projeto Estufa:

A C&A está ciente de que muitos agricultores em campos de algodão manuseiam defensivos agrícolas prejudiciais à sua saúde e ao meio ambiente, por isso estão produzindo e comprando algodão orgânico, totalmente livre de pesticidas. Acreditando que a indústria da moda pode ser uma força para o bem, eles foram os patrocinadores do Projeto Estufa e investem no C&A Aposta em parceria com a Malha – onde irão incubar 10 marcas ligadas à moda nos pilares da sustentabilidade e inovação para incentivar novos projetos locais.

A Adidas lançou recentemente um tênis produzido a partir de plásticos retirados do oceano. Com design inspirado nas ondas do mar, o ‘Ultra Boost Uncaged Parley’ traz uma malha feita da mistura de ‘Ocean Plastic’ (95%) e poliéster reciclado (5%).Os cadarços, a base, o suporte do calcanhar e o forro também foram feitos de materiais reaproveitados. A Adidas produziu uma escala pequena para testar o produto e foi um sucesso, prometem aumentar a produção de produtos eco-friendly durante este ano. Entre outras iniciativas sustentáveis da marca estão as camisetas feitas com fibra de garrafa pet reciclada e o projeto de descartes de produtos nas lojas Adidas.

Tanto a C&A quanto a Adidas são negócios formados nos antigos valores da sociedade que agora estão se adaptando para a Nova Era, diferente de Flavia Aranha, marca brasileira que já nasceu com a intenção de fomentar uma cadeia mais justa e humanizada, preocupada com o desenvolvimento sustentável da moda e do meio em que está inserida. Flavia Aranha opta por utilizar matérias-primas de menor impacto para o meio ambiente, usa corantes naturais de origem renovável para tingir suas peças e conta com mão de obra artesanal. Com foco no trabalho social e no empoderamento de mulheres artesãs a marca estimula o desenvolvimento e a autonomia de grupos produtores e cooperativas de artesãos por meio da valorização de seus conhecimentos, técnicas e tradições, possibilitando a independência desses grupos e a manutenção de seus conhecimentos tradicionais.

Exemplos como este da Flavia Aranha nos fazem lembrar que o Brasil tem um patrimônio enorme, uma grande biodiversidade e inúmeras comunidades com artesãos aptos a compartilhar seus conhecimentos por todo país. Basta nos questionarmos e buscarmos por novas formas de fazer moda, pelo caminho da economia criativa e colaborativa com mais consciência e propósito. É preciso fomentar as economias locais, se questionar da onde vem a matéria-prima, como ela é produzida, em que condições as roupas são feitas, por que mãos… Como consumidores de moda nós precisamos ter uma visão total da cadeia produtiva do que vestimos. Através do consumo consciente nós seremos capazes de ir transformando aos poucos o nosso meio, aquela velha frase de Gandhi que já virou clichê, mas vem ganhando cada vez mais sentido: “Seja a mudança que você quer ver no mundo”.

Para nós que somos uma marca de moda vem a certeza de que precisamos aplicar esses conceitos na prática como produzimos. Desde o início do nosso trabalho incentivamos o consumo consciente, que as pessoas adquiram um amuleto buscando a conexão energética com ele – “que tenham apenas um amuleto com significado ao invés de ter 10 acessórios seguindo as tendências da moda.” Nossa mão de obra é totalmente artesanal e sempre que possível optamos por materiais reciclados, como a prata e o cobre que utilizamos. Queremos nos aprofundar no conhecimento da origem da nossa principal matéria-prima que são os cristais. Sabemos da complexidade dessa cadeia de extração de minerais, mas aos poucos pretendemos tomar maior consciência e responsabilidade sobre essas questões ambientais.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido na busca da sustentabilidade, mas estamos felizes em dar o primeiro passo e ver que muitas marcas e consumidores também estão caminhando neste sentido. Na natureza tudo é imperfeito, não precisa ser perfeito, não existe ser 100% sustentável nos dias de hoje, o que vale é começarmos a nos questionar e agir de forma mais ética refletindo sobre o melhor para o Todo. O primeiro passo é ter consciência de que precisamos mudar, iluminar as nossas sombras para que a gente enxergue todo lixo que viemos “varrendo para baixo do tapete“. É o momento de enxergarmos todas essas verdades ocultas na indústria da moda e nos posicionarmos. Vamos juntos rumo a economia da consciência?!

Julia Azevedo no Projeto Estufa

Schana Breyer SPFWn43

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